Eu sou a Cristina Leonhardt, do blog Cuore Curioso, e vou compartilhar um pouco da nossa experiência na China com os leitores do Pequenos pelo Mundo.

China? Isso mesmo: ficamos 31 dias na China: meu marido, eu e nossa filha de 4 anos. Neste post, vou responder às principais perguntas que nos fazem quando o assunto começa com “eu acabei de voltar da China”.

Família Cuore na Muralha, entrada Mutianyu

Família Cuore na Muralha, entrada Mutianyu

 

DEUSULIVRE! O QUE VOCÊS FORAM FAZER NA CHINA?

É provável que a China não seja a primeira escolha de pais de primeira viagem. O brasileiro gosta de dois grandes destinos: Europa (principalmente França e Itália) e Estados Unidos. Quando fala de Ásia, está pensando em Tailândia. China nem cruza o pensamento!

Acontece que somos meio do contra diferentes. Gostamos de ir a lugares onde pouca gente conhecida vai, gostamos de ter histórias diferentes para contar. Gostamos de explorar. Não somos trilheiros, nem acampamos, nem fazemos escalada, contudo – gostamos de um mínimo de conforto com o máximo de liberdade. Então viajamos independentemente, sem guias nem agências, para lugares do mundo que parecem únicos, mas que têm infra.

APOSTO QUE VOCÊS FORAM NA MURALHA DA CHINA!

Sim, e muito mais do que isso! A China é um país imenso, maior do que o Brasil, e muito diverso. No mesmo dia pegamos tempo seco 5°C nas montanhas e umidade com 27°C na planície – na mesma província.

O nosso roteiro:

 

Num dos posts do Cuore Curioso, eu aviso: quem vai para a China faz um exercício de corte de roteiro! Apesar da malha ferroviária e aérea funcionar muito bem e ajudar ao viajante, mesmo assim, pela dimensão do país, há que se escolher o que ver. Com isso, e para não passar correndo, deixamos toda a região tibetana de Yunnan e o próprio Tibet (que são lindíssimos) para uma próxima ida – sim, iremos voltar.

DO QUE VOCÊS MAIS GOSTARAM?

Responderei esta por partes, porque cada um gostou mais de uma coisa:

Euzinha gostei demais de Jiuzhaigou e Huanglong, até hoje um dos lugares mais lindos que já visitei. Para mim, foram os lugares mais lindos de toda a viagem, disparados. Não é fácil chegar – ou, avião, que é fácil, é caro – ou sair, mas é lindo demais além da conta. E os parques são um primor de organização e conforto. Nessa aqui, a China ganha de lavada de qualquer outro parque que eu já tenha ido.

Parque Nacional de Jiuzhaigou

Parque Nacional de Jiuzhaigou

 

Huanglong

Huanglong

 

Huanglong - Sara fazendo cara de que tinha alguém tirando fotos dela

Huanglong – Sara fazendo cara de que tinha alguém tirando fotos dela

 

O Fernando gostou de descer de carrinho de rolimã da Muralha da China, em Mutianyu. Ele adora natureza, não curte muito museus e afins – então o frio na barriga veio bem a calhar! Tem até um videozinho dele descendo, eu e a Sara indo juntas no carrinho da frente.

 

A Sara também adorou descer nesse carrinho! Eu pensei que ela iria amar os pandas, mas parece que foi pouco iterativo para ela. Gostou, com certeza, e foi o que ela mais pedia para ver antes de chegarmos a Chengdu – mas o sucesso foi apenas parcial. Em Xingping, foi a primeira vez que tivemos um meio de locomoção próprio – uma bicicleta tripla! – e ela gostou muito de andar com a gente!

Família Cuore e a bicicleta em Xingping

Família Cuore e a bicicleta em Xingping

 

VOCÊS COMERAM AQUELAS COMIDAS ESQUISITAS?

Tipo escorpião vivo?

[wpdevart_youtube]grzApvIuRco[/wpdevart_youtube]

 

Nessa a China leva a fama, mas o Vietnam deita na cama. A China é próspera, cheia de graça: não precisa mais comer insetos, ratos e outros animais que o Ocidente desaprova. Essas histórias de comer gafanhoto e grilo e barata são apenas alimentadas para turistas. É fácil de comprovar: você não encontra nada disso nos supermercados, apenas nas feirinhas de turistas.

Agora, no Vietnam, meu amigo e minha amiga, eles comem mesmo: rato, cobra, cachorro… faz parte da cultura.

Inseto, não comemos. O resto, ACHAMOS que não. 😛

AH, VAI DIZER QUE VOCÊS GOSTARAM DE TUDO?

Não, obviamente que não gostamos de tudo, afinal, se tivéssemos gostado, já seríamos o próximo Buda.

Uma das coisas que mais irritou foi a escarrada. Afe, a cada 1 minuto tinha um chinês – homem, geralmente, apesar de ter visto uma ou outra mulher também – puxando tudo de dentro do peito e largando no chão. Nojento. Tem que criar uma bolha ao redor dos ouvidos e abstrair, se não o passeio não vai. Amigos me disseram que eles escarram até NA PISCINA. Eca.

A outra irritação foi a mania de fotografar a Sara. No início era engraçadinho, mas lá pela milésima vez, não tinha mais nenhuma graça. Para a Sara se sentir um pouco meio invadida e indefesa, eu sugeri e incentivei que ela desse o troco: toda vez que alguém começasse a tirar fotos dela, ela tirava da pessoa. Com o flash ligado, que era para ver mesmo. Eles ficavam desconcertados e, de modo geral, paravam. E ela se sentia menos tímida e mais segura.

Eu sei, sou uma mãe maquiavélica – mas tinha que fazer algo pela auto-estima da minha filha. E funcionou! Ela começou a se defender das mãos no cabelo, no ombro, na bochecha. Ponto para a dona Sara!

E COMO FOI COM A SARA?

A Sara teve suas dificuldades – principalmente no quesito comida, que era reflexo do quesito saudades dos avós. Ela usou como poucas a saudade para estranhar a comida ao redor.

Isso levou a um certo desespero de nossa parte, mas tentamos contornar dando a ela o que fosse que ela comeria: salgadinho, sorvete, pipoca, bolacha recheada e MUITO leite… Tem um salgadinho sabor catchup de que até hoje ela fala!

Depois de um tempo ela começou a experimentar mais a comida, comer um pouco de noodles e principalmente carne. Onde tivesse carne, ela comia sem problemas – mas a pimenta era um pouco problema. Os chineses gostam de comida bem apimentada e não fazem muita questão de abrandarem para o paladar ocidental, infelizmente.

Devo confessar que, enquanto estivemos na China, muitas vezes apelamos para Burger King e KFC – só que tínhamos que controlar, porque essas opções por lá são BEM mais caras do que a comida de rua que era o nosso trivial.

Ela é bem companheira e não enjoa de viajar longas distâncias. Preferimos viajar com ela durante o dia, assim estão todos alertas e descansados para brincar – não durmo em ônibus/trem/avião/carro e no dia seguinte estou um trapo.

Ela fez amigos por onde passou – o que sempre nos ajudava a aliviar um pouco a carga de 100% de atenção que uma criança em viagem exige. Para quem tem babá, escolinha, avós ou qualquer outra forma de ajuda para criar os filhos, realmente uma viagem traz esse bônus – ou ônus, conforme você vir a coisa.

A minha relação com a Sara mudou muito com a viagem: tanto que em determinado momento eu finalmente me senti a mãe que sempre quis ser antes de virar de fato mãe.

Sara e sua amiga chinesa Yoyo

Sara e sua amiga chinesa Yoyo

 

Viajar com criança é muito mais legal do que com adulto, tanto que me admira que as pessoas pensem o contrário. Criança precisa de atenção, claro, porém também anima a viagem, tem pique para tudo, curiosidade para as coisas novas, sem falar das pequenas pérolas que fala a cada esquina!

 

Siga o Cuore Curioso em: www.cuorecurioso.wordpress.com

Confira também a entrevista, no nosso canal do YouTube, que nós do Pequenos pelo Mundo fizemos com a família Cuore Curioso antes deles partirem para a Ásia!!!

Clique aqui para ver a entrevista!!